domingo, 7 de junho de 2009
A partida
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Li em algum lugar que A partida aborda a morte mas quer mesmo falar é da vida. Sinto discordar, mas para mim foi o filme mais barra pesada sobre a morte que já vi. De um modo suave, poético, é verdade, mas é da morte que ele trata todo o tempo, da morte morte, aquela dos defuntos sendo cuidados, do corpo sendo cremado, dos rituais de vestir, limpar, velar, cuidar do morto, com sua cara de morto, seu jeito de morto, sua morte morte.
Em alguns momentos fiquei incomodada, tudo é bem lento, bem oriental, mas no terço final do filme (que é longo, dura mais de duas horas) a coisa fica impossível e a gente chora mesmo, porque o protagonista vai enfim rever o pai, que o havia abandonado quando ele era criança. Precisa dizer em que circunstâncias isso acontece? É de cortar o coração, isso para ficar no espírito um tanto sentimental dessa parte final.
Enfim, se alguém quer travar uma conversa em bom estilo com essa senhora, que está longe de ser aqui a 'indesejada das gentes', esse é o filme. E o ator que faz o protagonista é qualquer coisa, bom demais, muito expressivo, meigo, belo e sensível. Ah, e toca um senhor violoncelo.
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3 comentários:
acabei de voltar do cinema. chorei baldes...
como é que o filme não trata de vida, clara? pois se a lida com a morte transformou completamente a vida do protagonista!
pra mim foi assistir à morte pulsando tanto quanto a vida, apenas em outra toada.
pois é, rosa, é claro que a vida está ali, mas eu não diria que se trata da vida como tema, o tema para mim é a morte mesmo, mortíssima. E achei o final meio apelativo, e o filme um tantinho cansativo.
aliás, a vida do rapaz se transforma por causa do contato diuturno com a dita cuja, é ela que rege os novos rumos tanta para ele, quanto para eles, quando a mulher enfim se rende à beleza... de quê? do ritual da morte, das passagens, em que seu marido se tornou um expert.
enfim, morte como cerimônia bela e tocante, mas morte.
um abraço,
clara
Eu recebi a mensagem, obrigada!
Estou ansiosa!
Beijo
PAola
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