terça-feira, 19 de maio de 2009

notinha sobre leite



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Comecei a ler as primeiras dez páginas de Leite derramado, do Chico, fui um pouco além e achei insuportavelmente ruim, sem a menor possibilidade de terminar, pelo menos no futuro próximo. Não acho que seja porque estou ainda sob o impacto da frase, do pensamento, da força, da brutalidade - ou seja, da grandeza - de A vida breve. É porque o Chico fez uma coisinha, uma literaturazinha, uma historinha, uma porcariazinha de frase que não desce de jeito nenhum. Como essa do parágrafo inicial:

Quando eu sair daqui, vamos nos casar na fazenda da minha feliz infância, lá na raiz da serra. Você vai usar o vestido e o véu da minha mãe, e não falo assim por estar sentimental, não é por causa da morfina. Você vai dispor dos rendados, dos cristais, da baixela, das joias e do nome da minha família.

Tirando 'não é por causa da morfina', que rende um pensamento um pouco mais além do leitor quanto ao papel dessa morfina na vida do narrador, nada se aproveita do que se lê, tudo é chão, bobinho, sem densidade, sem força.

E assim continua ('Acolhi condolências formais, efusões de desconhecidos, mãos pegajosas e hálitos azedos, já sem grandes esperanças de Matilde.', p. 31) pelas páginas adiante, um texto aquém do que o Chico pode fazer e já fez.
Acho meio imperdoável que um artista com a bagagem dele faça ainda esse trabalho fraquinho e a mídia toda caia a seus pés, em razão, exatamente, de seu peso na cultura do país. Mais uma razão para fazer muito melhor do que fez aqui - porque acho que ele pode.

9 comentários:

Isabella disse...

Comecei e também tropecei no mesmo parágrafo que você. Ai fiquei com uma impressão ruim, de coisa de interior que eu cansei, sei la. Continuei mais um pouco e parei. Ainda está no pause...e como as minhas prioridades são muito mais interessantes é bem provável que vá para a prateleira
Abraço

Clara Lopez disse...

Estou na mesmíssima situação que vc, isabella, vai ficar pausado até passar minha irritação e tenho tb outras prioridades, a vida é breve e não dá para perder muito tempo com livro que não nos leva a lugar algum...
beijo,
clara

Egídio disse...

Eu quase comprei, Clara. Como vai você? Você foi ver Divã? Eu procurei aqui e não achei nada. Sabe que eu gosto muito das suas opiniões sobre os filmes? Nem sempre eu concordo, mas você capta a minha atenção todas as vezes. super beijo e apareça.

Clara Lopez disse...

Oi, egidio, bom te ler por aqui... não vi divã ainda mas pretendo ver, mas um grande amigo viu e não gostou muito, mas o trailer é engraçadíssimo.
Eu estou meio enrolada com trabalhos atrasados, venho por aqui menos, mas de vez em quando vou ao mínimos, não comento pq seus textos sempre solicitam mais tempo de reflexão e escrita e por agora nao está dando.
um grande abraço,
clara

Egídio La Pasta Jr disse...

Querida Clara, quando assistir Divã, me diga o que achou. É uma comédia quase romântica com um excelente astral. Eu não exigi nada além e eu gostei. melhoras com sua gripe! beijo

Suzana Elvas disse...

Ahhhhh, posso morrer feliz! Achei alguém que NÃO está incensando o livro do Chico!
Chorei.

Clara Lopez disse...

Oi, Suzana, bom te encontrar aqui. Vc tb não gostou do livro, pelo visto, é bem fraquinho, né não?
um abraço,
clara

_Melissa_ disse...

* Eu cheguei a pegar no livro na Siciliano. Mas acabei não comprando.
* Eu gosto da Martha Medeiros há algum tempo. Minha mãe viu "Divã".
- E aí, mãe?
- Eu achei meio bonzinho, meio ruinzinho, meio medíocre.
- Ah! Então talvez eu curta, né?
- Aposto R$ 100 q vc, na melhor das hipóteses, vai rir duas vezes e achar tudo meio pateta, meio patético.
Agora... Só me resta esperar a *sua* opinião, Clara. :)
Beijocas,
_Melissa_

Clara Lopez disse...

Melissa, minha flor, eu já quis umas duas vezes ver Divã, mas meu melhor amigo já me advertiu que é meio isso mesmo que diz sua mãe, então, como tenho outras prioridades, vou adiando, mas tenho intenção de ver. Antes, vou aqui pertinho ver Garapa, embora com medo de sofrer tudo de novo...
beijo, pra mãe também,
clara