sexta-feira, 1 de maio de 2009
mauro santayana e a ganância
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Não conheço bem o Mauro Santayana, mas ele disse tudo o que todos precisam saber sobre a gripe suína, na descrição e síntese perfeitas do artigo abaixo. Como sempre, a força das mega indústrias transnacionais que atuam sem controle parece estar na origem de toda miséria, sobretudo contra os países pobres.
O que mais me chocou foi essa informação : "pelo tratado, a empresa norte-americana não está sujeita ao controle das autoridades do país".
Isso também acontece pelo interior do nosso país, não tenho dúvidas.
A gripe dos porcos e a mentira dos homens
JB - 1º de maio 2009 - Por Mauro Santayana - maurosantayana@jb.com.br
O governo do México e a agroindústria procuram desmentir o óbvio: a gripe que assusta o mundo se iniciou em La Glória, distrito de Perote, a 10 quilômetros da criação de porcos das Granjas Carroll, subsidiária de poderosa multinacional do ramo, a Smithfield Foods. La Glória é uma das mais pobres povoações do país. O primeiro a contrair a enfermidade (o paciente zero, de acordo com a linguagem médica) foi o menino Edgar Hernández, de 4 anos, que conseguiu sobreviver depois de medicado. Provavelmente seu organismo tenha servido de plataforma para a combinação genética que tornaria o vírus mais poderoso. Uma gripe estranha já havia sido constatada em La Glória, em dezembro do ano passado e, em março, passou a disseminar-se rapidamente.
Os moradores de La Glória – alguns deles trabalhadores da Carroll – não têm dúvida: a fonte da enfermidade é o criatório de porcos, que produz quase 1 milhão de animais por ano. Segundo as informações, as fezes e a urina dos animais são depositadas em tanques de oxidação, a céu aberto, sobre cuja superfície densas nuvens de moscas se reproduzem. A indústria tornou infernal a vida dos moradores de La Glória, que, situados em nível inferior na encosta da serra, recebem as águas poluídas nos riachos e lençóis freáticos. A contaminação do subsolo pelos tanques já foi denunciada às autoridades, por uma agente municipal de saúde, Bertha Crisóstomo, ainda em fevereiro, quando começaram a surgir casos de gripe e diarreia na comunidade, mas de nada adiantou. Segundo o deputado Atanásio Duran, as Granjas Carroll haviam sido expulsas da Virgínia e da Carolina do Norte por danos ambientais. Dentro das normas do Nafta, puderam transferir-se, em 1994, para Perote, com o apoio do governo mexicano. Pelo tratado, a empresa norte-americana não está sujeita ao controle das autoridades do país. É o drama dos países dominados pelo neoliberalismo: sempre aceitam a podridão que mata.
O episódio conduz a algumas reflexões sobre o sistema agroindustrial moderno. Como a finalidade das empresas é o lucro, todas as suas operações, incluídas as de natureza política, se subordinam a essa razão. A concentração da indústria de alimentos, com a criação e o abate de animais em grande escala, mesmo quando acompanhada de todos os cuidados, é ameaça permanente aos trabalhadores e aos vizinhos. A criação em pequena escala – no nível da exploração familiar – tem, entre outras vantagens, a de limitar os possíveis casos de enfermidade, com a eliminação imediata do foco.
Os animais são alimentados com rações que levam 17% de farinha de peixe, conforme a Organic Consumers Association, dos Estados Unidos, embora os porcos não comam peixe na natureza. De acordo com outras fontes, os animais são vacinados, tratados preventivamente com antibióticos e antivirais, submetidos a hormônios e mutações genéticas, o que também explica sua resistência a alguns agentes infecciosos. Assim sendo, tornam-se hospedeiros que podem transmitir os vírus aos seres humanos, como ocorreu no México, segundo supõem as autoridades sanitárias.
As Granjas Carroll – como ocorre em outras latitudes e com empresas de todos os tipos – mantêm uma fundação social na região, em que aplicam parcela ínfima de seus lucros. É o imposto da hipocrisia. Assim, esses capitalistas engambelam a opinião pública e neutralizam a oposição da comunidade. A ação social deve ser do Estado, custeada com os recursos tributários justos. O que tem ocorrido é o contrário disso: os estados subsidiam grandes empresas, e estas atribuem migalhas à mal chamada “ação social”. Quando acusadas de violar as leis, as empresas se justificam – como ocorre, no Brasil, com a Daslu – argumentando que custeiam os estudos de uma dezena de crianças, distribuem uma centena de cestas básicas e mantêm uma quadra de vôlei nas vizinhanças.
O governo mexicano pressionou, e a Organização Mundial de Saúde concordou em mudar o nome da gripe suína para Gripe-A. Ao retirar o adjetivo que identificava sua etiologia, ocultou a informação a que os povos têm direito. A doença foi diagnosticada em um menino de La Glória, ao lado das águas infectadas pelas Granjas Carroll, empresa norte-americana criadora de porcos, e no exame se encontrou a cepa da gripe suína. O resto, pelo que se sabe até agora, é o conluio entre o governo conservador do México e as Granjas Carroll – com a cumplicidade da OMS.
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10 comentários:
Mais uma vez, estão todos pagando pela escolha de poucos. É desequilíbrio ecológico em escala planetária; administração de antibióticos sem controle, tanto em animais, como em humanos que por qualquer mal-estar se auto-medicam com eles; campanhas criminosas de vacinação de idosos que só debilitam o sistema imunológico; a agropecuária que se transformou em um monstro para vender mais, em menor tempo; pocilgas de excrementos cada vez maiores em espaço menores proliferando escherichias e outros protozoários fatais; a ganância sem fim; a promiscuidade da política que favorece o lucro indiscriminado, etc., etc. Parabéns ao Santayana, por tyer a coragem de falar o que não é falado nos meios de comunicação massivos como os noticiários televisivos. Ali, só se comenta a propaganada enganosa, como sempre, de que o país está preparado. E aí ficam todos apavorados, comprando máscaras e se escondendo. A medicina alternativa, os cientistas, pessoas que realmente amam a humanidade, vem alertando inutilmente, porque ninguém ouve. Não interessa. A sujeira se espalha e o feitiço vira contra o feiticeiro. Uma minoria tem entendimento do que se passa. Mas o que fazer?
Obrigada pela transcriçao do artigo.
Tive a oportunidade de conhecer pessoalmente Mauro Santayana através de minha amiga Maria Lucia, quando ele era Adido Cultural do Brasil em Roma. Tive dele a mesma impressao de dignidade que me davam - e me dao -seus textos. Ha algum tempo atras tentei mandar-lhe uma mensagem, na verdade um cumprimento por um artigo, mas nao havia caixa de mensagem em sua coluna.
De fato, um senhor jornalista.
Bises,
Eliana
Eu comprei máscara, ana, e estou mais em casa do que já fico normalmente... não gosto de entrar no elevador pq não sei quem entrou ali, não gosto de ficar em lugar cheio, enfim, meio paranóica, tomara que esse surto passe logo...[
beijo,
clara
´Foi a primeira matéria que li sobre as origens do vírus, eliana, e achei muito boa também, ele escreve bem e enxuto. Hoje tem outra matéria no JB, não assinada, sobre o mesmo assunto, ratificando tudo que disse o Mauro.
beijo,
clara
Boa tarde Sr Mauro
Com respeito a seu artigo publicado no JB intitulado "A gripe suina e a mentira dos homes " temos considerações a fazer. Gostaria que o sr tomasse conhecimento e se eu estiver enganado me avise, por favor !!
O artigo esta rumando para o absurdo !
O caso numero 1 é numero 1 só nas analises... que coletaram. Ninguem coletava amostra antes de 16 de Abril !
Ai meu Deus, qta ignorancia. Os epidemiologistas e outros em debate já explicaram isso. Ninguém mais escreve isso... pura bobagem. A fonte de informação nao contou que mais de 30 amostras de La Gloria, inclusive a mae dele, ficaram com gripe e deu NEGATIVO para H1N1.
Que tem comer peixe.? q horror ? as vacas comem soja. Nem soja nem vaca conviviam ou existiam no Brasil ou no Mexico.. O pior que ele ainda escreve "de acordo com as autoridades sanitarias" !!! de onde cara palida ??
La vem os "organicos" e a natureza. E pensar que o Jornal do Brasil para publicar afirmações desse quilate, deve consultar pessoas com mais informações sobre a questão, ninguem tem que entender tudo de tudo !!
A pressao do Mexico para trocar o nome nao foi da Suina para H1N1. Foi de Gripe Mexicana para Gripe H1N1. Na Europa nao se falava em suina, mas em Mexicana. Como foi no caso da Gripe Espanhola, coitados. A fonte tambem não sabe que o gene da Gripe é Aviaria+Suina+Humana. Mas espero q ninguem conte para ele.
Claro q quem é o maior exportador de carne suina nao é o México, pelo contrário. A fonte nem deve saber. (exportadores maiores: EUA, Uniao Europeia, Canada e Brasil)
Governo "conservador" do México! Ate isso o cara escreve ? Deveria escrever o governo "legítimo" por que eleito em eleiçao direta. O candidato que perdeu (mas recebeu carta do PT do Berzoini dizendo que o reconhecia como ganhador) tava falando até segunda feira passada que a Gripe NAO EXISTIA e que era invençao do governo para distrair a opiniao publica. Acredita ? Agora parou por que já estava virando piada.
Vou guardar bem o nome "Mauro Santayana" para acreditar nas coisas que ele escreve sobre potica, mas sobre gripe e mexico ele deixa a desejar !
Conclusao, o titulo deve ser "A gripe H1N1 e os enganos de Mauro Santayana", caso ele não der uma corrigida !!
Caro Jair,
Muito do que o Mauro Santayana disse em seu artigo foi publicado no Jornal Washington Post (que todos sabemos é impresso em La Habana, Cuba...) http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2009/05/09/AR2009050902531.html
Ali está dito que houve uma crise de gripe que afetou 616 residentes (28% dos residentes de La Gloria). Entre eles estava o menino de 5 anos que foi idebtificado como um dos primeiros casos do novo vírus. O fato de que os demais não tinham o mesmo vírus apenas reforça que provavelmente o menino é o número 1.
Já a Associated Press discute a mudança de nome em http://news.yahoo.com/s/ap/20090501/ap_on_he_me/med_swine_flu_name. Lá um tal de Henry Niman, presidente de uma empresa chamaa Recombinomics que acompanha o desenvolvimento de vírus diz: "É claramente suína. É um vírus de gripe suína, não há outro nome para chamá-la."
Dr. Edwin D. Kilbourne, o pai da vacina da gripe suína de 1976 e professor aposentado da Universidade Médica de Nova Iorque em Valhalla disse que a idéia de mudar de nome ´uma "posição absurda".
E continua: "Nesta quarta, representantes oficiais dos EUA passaram a chamar o virus 2009 H1N1 (...), mas Dr. Anthony Fauci do Instituto Nacional de Saúde corrigiu os repórteres que a chamavam de gripe suína. Na quinta a OMS disse que pararia de chamá-la de gripe suína poruqe gerava confusão e estava acarretando a matança de porcos em alguns países".
Em relação ao governo conservador, seria interessante se informar sobre como foi o processo eleitoral no México e sobre as suspeitas de fraude. O candidato oposicionista, "o Lula de lá", se recusou a admitir a derrota. López Obrador chegou a tomar posse simbólica como "presidente Legítimo" do México.
Por último se vc acha normal porcos comerem peixe e vacas soja, deve achar normal também o crescimento das áreas de desmatamento no Brasil e a utilização extensiva de organismos modificados geneticamente (que são aceitos na Europa apenas para ração animal). Deve achar normal também o confinamento de animais em super fazendas que destroém as comunidades tanto ecologicamente como socialmente. Por último deve achar também normal o neoliberalismo e o financismo. Tudo bem, cada um deve ter sua opinião. Só acho que a crítica a um artigo muito bem escrito, sobre um assunto pertinente que vem sendo tratado com sensacionalismo (como é de praxe) pelos nossos meios de comunicação deve ter um pouco mais de fundamento.
Mauro Santayana é um dos (poucos) grandes nomes de nosso jornalismo. Ler seus artigos é como chegar a uma ilha de lucidez em meio ao mar de bobagens de nossa mídia.
Abraços,
Pedro Paulo
Recebi na semana passada um email sobre a gripe ser uma farsa, mais uma jogada entre o governo americano e o G7. Muito dinheiro em jogo e a indústria farmacêutica envolvida. É mole? Um email que apesar de soar um pouco "x-files" (e eu curto um x-files) faz bastante sentido se considerarmos a sociedade atual.
Ontem morreu o diretor de uma escola aqui no Queens. Só se fala nisso. A Fox é a mais alarmista. O que me intriga/irrita é que ninguém comenta sobre o vírus da flu que no inverno daqui é o maior vilão e que com certeza faz vítimas.
Deve haver algo de muito sórdido por trás desta gripe suína.
Abraco,
Agradeço ao Anônimo seus comentários, que só hoje li pq tenho ficado meio ausente desse espaço, e achei engraçada a carta dirigida ao Mauro postada aqui, imagino que tenha enviado uma cópia para o email dele, que está publicado no alto.
De todo modo, acredito que a mensagem principal do Mauro tenha sido denunciar a fábrica estadunidense que 'emporcalha' a cidade mexicana, e isso nem precisa muito de fontes porque é uma história que nós estamos cansados de ter presenciado nesse nosso fundo de quintal latino-americano, e me parece bem real - explorar mão de obra barata e sugar os recursos até a exaustão do país mais pobre em troca de ... de que mesmo? - é uma prática que reconhecemos bem próxima de nós.
um abraço,
clara lopez
Pedro Paulo, merci pelos esclarecimentos, e desculpe a resposta tardia. Eu tendo a ter uma visão mais próxima da sua, acho o artido do Mauro muito bom e esclarecedor, e acredito mesmo que a origem dessa gripe tenha sido a tal granja.
De todo modo, que há mais coisas por trás dessa celeuma toda (leia-se a força dos grandes laboratórios), como observa a isabella, também acredito que há (e nós pagamos a conta e o pato... ou o porco, nesse caso...)
um abraço,
clara
Isaabella, concordo em gênero e número a respeito da sordidez, sempre há um grande laboratório querendo ganhar muuuuuito com uma coisa dessas... agora os lucros são instantâneos e vêm do mundo todo, numa época de crise financeira (e de vergonha na cara) uma pandemia vem bem a calhar...
um abraço,
clara
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